A psicoterapia na pandemia.
Gabriel Domingos Silva Rego
Psicólogo 06/141180
A pandemia de COVID-19 e a crise sanitária que a sucedeu lançou não só um desafio e um jornada pela sobrevivência, mas também um desafio sobre como vamos sobreviver. O mundo mudou e talvez ele nunca mais volte a ser o mesmo, na verdade, espero que ele não seja. Descobrimos o quanto é necessário cuidar melhor do outro, das coisas e de nós mesmos. Diante disso tudo, uma pergunta se fez muito necessária para mim: Como vou cuidar dos meus pacientes agora? Como farei para promover um espaço de acolhimento, respeito e compreensão agora que não poderei mais atender presencialmente muitos dos pacientes?
Graças ao mundo digital foi bem fácil encontrar um novo endereço para o consultório, agora o endereço é digital também. Obviamente os encontros presenciais não cessaram, pois também foi preciso respeitar áqueles que não tiveram condições de me encontrar nesse novo endereço, seja qual for o motivo. Tomando todos os cuidados sugeridos pelas organizações de saúde, alguns encontros presenciais continuaram, mas ainda sim foi necessário encontrar possibilidades em meio ao novo cenário mundial. Foi nesse cenário que tive que parar para pensar o que era feito no meu consultório.
Ali, no meu consultório, eu sabia que existia um assento para o outro. Um lugar onde esse outro poderia vir, se acomodar e discorrer sobre o que o aflige. O acolhimento começava aí, oferecendo espaço para o corpo, abrigar esse corpo. Era do meu entendimento que qualquer um que sentasse ali receberia esse abrigo. Logo, o assento foi substituído por um par de fones de ouvido e foi no próprio fazer que percebi: O assento não é minha poltrona. O consultório de psicologia não é as quatro paredes que o delimita geograficamente. O assento que eu procurava no mundo digital esteve presente comigo o tempo todo, estava na minha capacidade de acolher, na minha capacidade de respeitar radicalmente aquele outro que estava comigo, seja de forma virtual ou presencial.
O respeito sempre existiu, isso é fato, e na pandemia aprendi uma ideia de consultório muito mais ampliada e democrática. Além disso, falar tanto de acolhimento e respeito é mesmo necessário ? Sim, sem isso a psicoterapia não existe. É só a partir do acolhimento e do respeito em sua radicalidade que aquele outro pode ser. É exatamente isso que buscamos no consultório, queremos que o outro possa ser, sempre e cada vez mais. Podendo ser é possível se ver, rever e se transformar.
A pandemia permitiu que, mais uma vez, fosse possível cuidar do consultório, entender o que se passa ali e o que sustenta o trabalho do psicólogo. Me fez lembrar que é preciso cuidado em todo processo. Aprendi com a pandemia um pouco mais sobre o ser terapeuta e me recordar do que é mais potente no psicólogo: Acolher e respeitar. Isso é quase tudo de que precisamos para ajudar a superar as angústias
